Solidariedade com Timor Leste PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

Episódio 53

Remonta ao ano de 1991 a primeira intervenção da Torcida Verde de apoio à nação Maubere, com a exibição de uma faixa no Estádio José de Alvalade que visou dar visibilidade as atrocidades cometidas em território timorense, num período em que o povo timorense se encontrava “abandonado” pela comunidade internacional.

Todavia, foi entre 1996 e 1997 que começamos a colocar frequentemente uma bandeira de Timor na Curva Sul do Estádio José de Alvalade. Apesar da nobreza da causa em 1997 um funcionário do SCP exigiu-nos a retirada da dita bandeira, alegando ordens superiores, perante nossa indignação.

Episódio 53

De realçar, que este gesto reflectia o clima de intimidação que tentaram impor-nos mas que nunca nos abateu. Voltámos a usar mais vezes a dita bandeira.

Em 1998 a Torcida Verde formalizou um protocolo de cooperação as associações Timorenses RENETIL e OJETIL, numa iniciativa que afirmava a multiculturalidade como um património comum visando o desenvolvimento de iniciativas conjuntas no campo sócio desportivo. Tratou-se de mais uma iniciativa de grande afirmação, personalidade e autonomia.

Desta forma a Torcida Verde afirmou sua posição em relação ao racismo, outro tema tabu do meio "claques", de forma pública e inequívoca. Por outro lado, pretendemos prestar solidariedade para com o povo timorense e em especial para com os jovens mauberes residentes na zona da grande Lisboa, quando a situação naquele país da Oceânia ainda não conhecera o impacto mediático da terrível chacina que iria ocorrer em Setembro de 1999.

Esta iniciativa seria a precursora de outras posteriormente realizadas com o apoio do pelouro do desporto da Câmara Municipal de Lisboa.

O facto da Torcida Verde não aceitar comportamentos racistas e discriminatórios deve ser entendido como algo previsto na Constituição e que regula o próprio funcionamento das Associações, como é o nosso caso, dos Clubes, como o SCP. Esta iniciativa deve ser entendida no campo da cidadania.

Desta forma trata-se de uma (re)afirmação natural, apenas exigida pela conjuntura que "cola" a generalidade das “claques” a comportamentos racistas anticonstitucionais. Esta nossa preocupação em clarificar nossa posição em relação ao tema, contudo não significa que tenhamos como objectivo assumir qualquer "militância ou combate anti-racista".

Na Torcida Verde a única militância que praticamos é o Sportinguismo.

Irónico seria que, já em 1999, quando Timor era um desígnio Nacional (para outros uma moda), dos responsáveis do SCP surgiu o pedido para convocarmos um grupo de jovens Timorenses para um filme sobre a história do SCP… ao que acedemos com um entusiasmo mordaz e irónico.

A ligação da Torcida Verde à comunidade Timorense - outrora mal vista em certos meios da nomenclatura do clube à época - com a “ mediatização” do caso Timor em 1999, num ápice passou a ser algo muito” conveniente”.

Desta forma, a insistência para a participação de um grupo cultural timorense num filme alusivo ao SCP seria uma nova realidade que, com alguma ironia, nos esforçámos por providenciar.

Nota para a curiosidade da presença na iniciativa daquele que seria o futuro primeiro ministro de Timor Livre Mário Alkatiri (na foto) assim como outros jovens Timorenses que teriam responsabilidades no futuro Estado Maubere.

No âmbito desta nossa causa um episódio bastante relevante teve lugar no dia 18 de Abril de 1998, em Coimbra, onde teve lugar um enorme cordão humano de solidariedade com a causa timorense.

Nesse contingente, estiveram presentes alguns membros da Torcida Verde que se deslocaram desde Lisboa.

Nesse mesmo dia, nasceu a ideia de realizar nova acção aquando do jogo futebol Académica Coimbra- Sporting CP.

Apesar de se realizar numa 2ª feira pelas 21.30 horas, foi possível organizar mais uma iniciativa pela causa maubere. A colocação da bandeira de Timor Leste, bem como a faixa do nosso núcleo "Timor Livre", rodeada pelos símbolos da Académica e do SCP, foi possível graças a valores que ultrapassam a mesquinhez do ódio e das rivalidades.

Antes do início do jogo, o presidente da A.A. Coimbra, Campos Coroa, ofereceu t-shirts apelando à libertação de Timor ao presidente do SCP José Roquete, numa república estudantil.

Na entrada das equipes os "gandulas" envergaram t-shirts alusivas à iniciativa.

 

SCP 0 - Basileia 0

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

Desde 1984, o ano da sua fundação, a Torcida Verde tem vivido inúmeros episódios que forjaram o seu carácter e determinaram em grande parte a sua acção.

Tratam-se de situações marcantes para os militantes da Torcida Verde que viveram essas jornadas ao vivo e a cores.

São momentos diversos, com personagens tão diferentes como dirigentes desportivos ou institucionais até aos adeptos e cidadãos mais anónimos.

Neste espaço esses pedaços de história da Torcida Verde são evocados com humor, ironia, determinação e muita convicção. Uma abordagem que se pretende tão original como interventiva, bem evidente nos inúmeros episódios em que se denúncia a hipocrisia, o cinismo, a falta de coragem, o preconceito, a imbecilidade, a mesquinhez, a reverência ou a subserviência.

Simultaneamente muitíssimos outros momentos evocam grandes batalhas assumidas pela Torcida Verde em nome das nossas convicções e ideal clubista.

Estes textos ilustram o percurso da Torcida Verde, tantas vezes rumando num mar turbulento repleto de contradições que emergem, invariavelmente de factores exógenos e externos à natureza associativa do mundo dos clubes e dos adeptos.

 

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